segunda-feira, 25 de junho de 2012

Ainda (ou outra vez) a "cena" de ser mãe

Hoje escrevo-vos levemente irritada e com vontade de atirar a criança pela janela. Que atire a primeira pedra quem nunca teve esse desejo…


Eu amo ser mãe. Tornei-me melhor pessoa. Sou menos egoísta. Alterei as prioridades. Já não faço dramas desnecessários. Mas PORRA, o gajo tem dias em que praticamente me leva à loucura. Aí uma vez por semana resolve “geniar”, armar-se em parvo e fazer daquelas birras que tiram qualquer um do sério. Esta criatura é de ideias fixas. E quando digo “fixas” quero dizer que é vidrado em elevadores e escorregas, por exemplo. Então, saímos de casa e estando na rua só diz “rua rua rua” que para ele terá um significado diferente dos demais seres humanos. E depois vamos no carro e viramos para um lado ele diz alto “era para ali” (caminho a que provavelmente ele está habituado a fazer para ir dar a uma dessas fixações). Há dias pacíficos, tudo zen, até se senta em esplanadas (vá tenho de lhe dar para a mão a carteira e ele conta moedas e alinha cartões, ou compro uma revista daquelas inúteis do noddy ou outro qualquer e ele lá se distrai). Mas depois há outros dias em que não há nada que o faça feliz. Aí sai à mãezinha que também tem dias assim, em que quer tudo e nada quer. Quando se irrita à séria, e quem o conhece sabe que desde que nasceu que tem um vozeirão de impor respeito ao próximo, atira o chapéu que tem na cabeça ao chão, tenta levantar a mão aos progenitores (entenda-se euzinha e o batato) e à conta disto passa o tempo a apanhar (assistentes sociais deste país, não há volta a dar, ele merece), atira-se para o chão e coisas que tais.


Quem visita este espaço deve pensar que eu odeio o meu filho e que só falo mal dele. Faz sentido o raciocínio. Mas pronto, não é o caso (o odiar a criança, porque de facto falo mal dele…). Simplesmente isto da maternidade/paternidade não são só coisas boas e eu não tenho pachorra para as mães que dizem que os filhos são uns anjos e tal e coiso.


À parte disto tudo, este fim de semana o pirata esteve umas horas a apanhar flores para me oferecer e eu refastelada na relva a apreciar a cena (ele ia guardando as ditas nas minhas pernas).
E no fim, também acho que ele terá muitas vezes vontade de nos atirar pela janela. Deve ser reciproco. Acho que a isto se chama amor. Mas não sei bem. Digam-me vocês.



17 comentários:

CAP CRÉUS disse...

Nada a acrescentar...

PINTA ROXA disse...

Lindo texto, que só uma mãe sabe entender...
Estou contigo, a minha aprendiz tem 11 anos e eu ás vezes...Brrrrr apetece-me torcer-lhe o pipo.....

Paula disse...

:) Oh, Rita.. Tu bem me conheces e eu ao pé de ti é que pareço uma mãe sem paciência nenhuma. Este fim de semana o besnico esteve bem (praticamente sem birras e apenas ameaçava que as ia fazer). Ainda assim, perdi a cabeça porque ele não me deixou por 5m sozinha. Queria brincar, SEMPRE! Nem à casa de banho consegui ir (era logo "Mãããeee????"). às vezes até fico com inveja (coisa feia, bem sei) das mães que têm filhos adoráveis, sempre bem comportados. Mas acho que o mais normal mesmo é eles fazerem birras e nós, nem sempre, conseguirmos ser pacientes e assertivas para lidarmos com a situação. Confesso que até me sinto melhor por te queixares também. Pelo menos, sou normal (creio) quando penso que o miúdo às vezes tem um mau feitio do catano e eu também e até me apetece bater-lhe (isto é tão feio, não é?). Mas às vezes dá vontade... E lendo o blog não tenho ideia nenhuma que te estejas sempre a queixar do pirata. Antes pelo contrário.
Beijinhos! (bem-vinda ao meu mundo :))

Anónimo disse...

Vi-me e revi-me neste teu post! Ninguem ama mais os nossos filhos que nós, com toda a certeza, mas tem dias que nos tiram literalmente do sério! E pior quando "sofrem" da chamada audição selectiva. Só ouvem o que lhes interessa. O meu pequeno F. o que tem de reguila tem de amoroso. E, depois de uma boa briga comigo, é rapaz para me vir dar um beijo bem repenicado na boca! Mas termina sempre com "tu portas mal" (frase repetida vezes sem conta pela minha pessoa). Eu acho que eles já trazem um chip desde a nascença, só ainda não descobri onde o instalaram :)
Elsa

diafeliz disse...

DESABAFOS DE MÃES, LINDOS! Mais coisa, menos coisa sempre assim foi e será. Agora, (fala-vos a voz da experiência), estas idades são uma maravilha e vão ter muitas saudades. As próximas etapas, especialmente aí dos 10/11 em diante, essas sim, em geral são mesmo de entrar em parafuso!

Princesa disse...

Acho que todas pensam em atirar os filhos pela janela a certa altura. Faz parte. Digo eu...

Beijinho

Gomezzz disse...

Quando a mini-me esta chateada eu deixo logo de ser do Benfica. Sou logo avisado. Normalmente isso é o inicio de uma birra. E ha momentos que so apetece larga-la... :-)

OutraMaria disse...

So quem é mae e pai entende estes sentimentos. Afinal nos tb já fomos crianças e conhecemos todas as manhas de ser criança. E claro tem dias que os nossos rebentos nos tiram do serio, porque ja pensam que são mulherzinhas e homenzinhos. O conflito de gerações existira sempre. E tudo isto é sinal de amor, pois no momento que pensas atira-lo da janela para fora, ja estás a pensar que do outro lado estás lá para agarra-lo. Beijinhos

G disse...

Os meus são uns anjinhos!

Anita disse...

Finalmente! O que eu ADORO ler estes teus posts!
Também eu sou uma mãe dedicada, que ama o seu crianço, que ficou melhor, mais boazinha, paciente e amiga dos animais, bla, bla, bla, mas que tem consciência que isto de ser mãe tem dias que é duma dureza desmedida, que nos tira do sério, que nos deixa com os nervos em franja.
E sim, parece-me que seja reciproco este tip+o de sentimento entre pais/filhos. Aposto que há dias em que se o meu pudesse também me punha a "pensar na vida" (nome que dei ao castigo, só assim para dar um ar mais erudito à coisa de ficar sentado a olhar para ontem).
Isto é amor pá, amor e 2 dedos de testa para reconhecermos que ser mãe não é fácil...e que ser filho também não! :)

Party Girl disse...

Mas com uma mãe soviética estavas à espera de quê? Que o teu filho fosse uma reencarnação de Ghandi, todo zen?
ehehehhe

. margarida . disse...

Absolutamente.
Sou mãe de uma « campeã da teimosia e obstinação » de 5 anos.
Mas ninguém disse que ía ser fácil....
Amo-a como qq mãe ama a sua cria.
Mas é mesmo « desgusting » ouvir aquelas « mãezinhas supé-bem » cujas crias são o paradigma da perfeição.
Aliás a maioria deles,a crer na descrição,limitam-se a comer e dormir.
TODA a noite.

Felicidades.

ps- fiquei temerosa daquele comentário de que a coisa PIORA por volta dos 10/11...
A ver....

Atlantida disse...

Um tem quase 10, outro 11!! Às vezes, apetece-me fugir! Quando passam os limites, levam um aquece-rabos... Ah pois, todos apanhámos e ninguém ficou traumatizado, certo?

Rosa Cueca disse...

O G. tem 14 meses e já demonstra bem que o que está para vir não vai ser fácil.
Ontem levantou a mão pela primeira vez à Educadora.
Já bateu nos coleguinhas (em defesa própria, pronto), é obstinado, grita e chora quando quer uma coisa e não pode têlo no milésimo de segundo seguinte.
Mas é amoroso, mimalho, dá abracinhos bons, põe-nos a rir das suas gracinhas...e uma pessoa esquece-se daqueles momentos em que pensa "porquê meu Senhor, porquê achei por bem esquecer a contracepção?!".

Juanna disse...

Tenho uma com 10 e outra com 3. Há momentos em que as odeio. Há.

Anónimo disse...

nao atiro pedras, mas a mim nunca me apeteceu jogar pela janela.. e tenho uma filha dificilima lol
aprendi a corrigir sem me lesar e assim vou levando o barco a bom porto..espero eu ;))

Lúcia disse...

Hahahaha. Vocês ainda não viram nada! Esperem até, como eu, terem um filho de 17 anos (taurino ainda por cima!). Enquanto são pequenos ainda podemos fazê-los obedecerem. Mas aos 16, 17, 18, fazem praticamente o que querem e bem entendem. E nos deixam de cabelos em pé e nervos em frangalhos.
Mas concordo que um filho é o que mais amamos na vida.