segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Dona Maria

Foi trabalhar lá para casa tinha eu os meus 7 anos. Começou logo por me fazer a melhor canja de galinha que algum dia provei e por me dar os melhores mimos do mundo, estava eu com uma ganstroentrite. Dali a fazer parte da família foi um passo. Ia-me buscar ao ballet. Fazia os melhores cozinhados desta vida. Recebia os nossos amigos como sendo dela. Quando a mãe ia para congressos, ficava a dormir lá em casa e tomava conta de nós e para nós eram dias maravilhosos. E as vezes que fui com ela de férias para o Mogadouro. E fiquei com a família dela. E as vezes que fomos para a praia quando a família cá vinha. E de criança fiz-me mulher. E da primária passei ao ciclo e à secundária e a faculdade passou e ela esteve sempre lá. Quando a minha cama ficava desarrumada por mim e pelas minhas amigas, dizia zangada "parece o ninho do cão". Quando já não nos podia aturar, eramos 3 pestes, dizia mal à sua vida. três alminhas de férias a acordar à uma da tarde e ela chegava, abria as janelas e dizia "toca a andar que tenho de arrumar os quartos". E nós não piávamos. E no natal, dia 24, ia fazer bolos e comida todo o dia, mas antes avisava "não quero ninguém em casa, nem para almoçar". E as vezes que dormi na casa dela. E os bifes com batatas fritas caseiras e um molho de mostarda divinal. Sabia melhor o que cada um gostva ao ponto de a minha mãe dizer "não comes isto?" e ela entrar e dizer "oh, ele não gosta, fiz um prato para ele de propósito". E os casamentos dos meus irmãos. E do neto dela. E vê-la a diminuir, com a idade. E a ter problemas de costas. E a queixar-se. Mas a ser incapaz de parar de trabalhar, Estava-lhe no sangue e parar não era para ela. E aturou-me os desgostos amorosos. Os stresses dos testes e exames. Cada ida ao dentista com 12 anos em que toda eu tremia. E os quilos de roupa que tinha sempre para lavar. "cada dia cada camisa, não pode ser". O tempo que cada um levava no banho que a levava a intervir e a dizer "não se pode gastar água assim e vocês ficam esquecidos". E quando a mãe ficava com um, porque era operado ou algo semlhante, lá estava ela a tomar conta dos outros. E a fazer bons lanches para os nossos amigos. E a meter-nos todos na ordem. E a deliciar-se com o meu sobrinho baguito, o único que conheceu. Hoje foi um dia triste. O meu mundo ficou mais pobre. E chorei toda a manhã. E nada a vai trazer de volta. E não há volta a dar.

11 comentários:

BlueAngel disse...

Que saudades tive agora da minha D. Rosa que, por esta altura, já deve estar a tomar um cházinho com a tua Dona Maria. ;-)Um beijinho muito grande e um abraço apertado, Rita.

estrela do ar disse...

Um beijinho para ti, neste momento difícil.

diafeliz disse...

Foste dar-lhe um pouquinho de carinho nos seus últimos dias de vida? Tenho a certeza que sim. Agora , na verdade já não podes fazer mais do que recordares a pessoa que era e o miminho que te deu. Assim ela continuará viva, porque está viva na tua memória.
A vida é isso mesmo: Quem nasce, morre., mas tens a minha solidariedade! um bjo grande.

laurabrito.monteiro@gmail.com disse...

Passei uma grande parte da minha infância e adolescência na tua casa... fora horas intermináveis à mesa... as batatas fritas caseiras, os bifes, os doces... tudo feito com muita dedicação pela saudosa D. Maria. Até a ralhar era carinhosa... era como uma avó!!! Fez e fará parte das nossas vidas... resta a memória e a Saudade... Recordar é Viver... e Recordar é Homenagear aqueles com os quais tivemos o prazer de privar!!!
Até sempre Dona Maria <3

Eduardo disse...

Sentimentos.

Juanna disse...

Ontem lembrei-me do meu Francisco, um doce de homem que morreu tão novo :(

Choque disse...

As pessoas importantes nunca desaparecem.
Estão sempre no nosso coração e no nosso pensamento.
Tenho a certeza que a vai recordar para sempre e terá sempre um sorriso na face sempre que se lembrar ou falar da Dona Maria.

Paula disse...

Oh, a D. Maria... Fazia mesmo parte da família. Um beijinho

Anónimo disse...

A minha falecida mãe foi uma D. Maria muitos anos.
Admiro a relação que criou com a sua D. Maria.
Um bem-haja pela homenagem que lhe presta. Obrigada.
Anabela

Lótus disse...

Babe...Ainda me restam muitos xi corações para ti :) Mil Beijos! Pode ser que agora esteja a fazer bolinhos ao meu Pai :)))

A mamã da Beatriz... disse...

Os meus sentimentos...