quarta-feira, 27 de julho de 2011

Não me esqueci que ontem foi o dia dos avós. E lembrei-me até não poder mais dos meus. Que já lá vão. E doeu-me o coração. O meu avô Joaquim que me ensinou a andar de bicla e o alfabeto e que tinha paciência de santo. E a avó zé sempre pespineta e desconfiada que o marido andava com outras quando o que ele gostava era de ir para o café jogar às cartas com os amigos. A parreira do quintal deles no algarve. O poço. O cheiro da casa. As férias. Os mimos. E o avô Fernando que contava mil histórias e era bonzinho. E eu não estava muito com ele. Isto de ser filha de pais separados já se sabe. Mas este avô nunca se esquecia de nós. E a avó Alice, a única que conheceu o meu pirata, era senhora do seu nariz. E nunca se ia abaixo. Até o marido morrer. Desde aí não foi mais a mesma. E nos últimos tempos muitos conselhos me dava. Também não foi a avó mais presente. Mas eu tenho-a presente cá dentro. Porque a vida é mesmo assim. Os avós maternos marcaram-me especialmente. Por todas as razões e mais algumas. Mas os paternos também lhes tenho o cheiro. O sorriso. As histórias. Os beijinhos. As visitas. O subir das escadas. A confusão. Era sempre um dia de alegria quando havia visita.

(tenho saudades dos 4 e acho que deviam ser eternos)

2 comentários:

joaotvalente disse...

Faz por nunca os esqueceres ...

Ainda hoje me lembro dos meus avós e das saudades que tenho deles ... O quintal da avó "Mila" na Herois de Quionga onde eu brincava com a cadela "Fany" e com o cágado e arrancava os "brincos de princesa" e ouvia as reprimendas do vizinho de cima, o senhorio sr. Alonso e lhe respondia "O homem é piolho ou quê ??? ... Este quintal é do meu avô !!! ...", as idas de comboio para Salvaterra onde tinham uma casa de campo na vila, junto à rua Direita, com as obrigatórias visitas a casa de todos os tios e primos ... A casa da avó Alice na Almirante Reis em frente ao cinema Lys, onde quando lá dormíamos se improvisavam camas com as cadeiras ou se estendiam os colchões no chão como no campismo ... e depois as idas para o Algueirão de comboio até ao Rio de Mouro e depois a camioneta até à estrada da Barrosa, com os banhos no tanque de lavar a roupa como se fosse a melhor e maior piscina do mundo ...

São tempos que não voltam mais e muitas saudades nos deixam !!!

joaotvalente disse...

Ainda sobre "os avós" convém também reflectir sobre o que vai mudando com o passar dos anos em termos de qualidade de vida ...

as casas deixam de ter quintal e 7/8 assoalhadas para serem apartamentos minúsculos, deixam de haver 2-3 meses de férias "no campo" e depois (ou antes ...) "na praia" com os vários tios e primos ... para se passar a "quinzenas de férias" na fila do pão ou dos restaurantes ... com hora quase marcada para a piscina do condomínio ... enfim modernices ...