quinta-feira, 5 de maio de 2011

Face a isto, como não sorrir?

A minha mãe tem noventa e três anos, está cega, está surda, é um farrapinho que o menor sopro leva e, no entanto, lembra-se do peso com que os seis filhos nasceram, das peripécias de cada parto, dos primeiros dentes, do momento em que começaram a falar, a andar, (...) e dá-me a ideia que os considera, ainda hoje, como as crianças que foram, mascaradas de adultos. Ontem ao despedir-me dela, beijei-a e a reacção foi - Isso é maneira de se dar um beijo? seguida de - Um beijo como deve ser, se fazes favor

(Cartilha maternal, crónica de Lobo Antunes na Visão de 5 de Maio)

3 comentários:

Estrela do Mar disse...

Espero vir a ser assim com os meus filhos :)

diafeliz disse...

Pois! É assim. A memória recente vai-se. A memória antiga fica.Ainda para mais naquilo que ela fez durante mais tempo e nos anos da sua juventude, que ficou muito là atràs.

Helena Barreta disse...

Que ternura.

Sim, os beijos e os abraços dos filhos são mesmo do melhor que há.