sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A vida como ela é

A vida é engraçada. As preocupações de outrora, "para onde vou de férias?", "será que ele está na minha?", "onde vamos sair hoje?", "será que ele gostou tanto da queca quanto eu?", "hoje saio com a Inês ou com a Cláudia?", "vou ao cinema ou à praia?", "no fim de semana durmo até à uma ou acordo cedo e vou de viagem até ao porto?", deram lugar a outras bem diferentes "quantas vezes fez cocó hoje?", "comeu tudo?", "dormiu quanto tempo?", "esteve de birra ou bem disposto?", "será que esta noite vai dormir?", "ai que apanhou frio, será que fica doente?".

A vida consegue ser lixada. No bom sentido, pois está claro. Era bom quando não tinhamos horários. Nem regras. Nem planos para o dia seguinte. E era tudo decidido na hora. Sem stresses. Sem pressas. Mas também é bom (não digo que é melhor, porque são coisas bem diferentes) saber que vou chegar a casa e vou ter uma alminha aos saltos e gritinhos por me ver. E vê-lo crescer todos os dias mais um pouquinho. E sentir os abraços e beijinhos que me dá. E saber que realmente gosta de mim.

O que questiono é porque é que não podemos ter as duas coisas?
(provavelmente sou egoista, mas devia existir a possibilidade de juntarmos as duas formas de vida e continuarmos (ainda mais) felizes)
(a questão é que se temos uma vida, queremos outra, e sempre assim)

7 comentários:

Eu é mais bolos disse...

Acho que muito poucas pessoas (arrisco a dizer - niguém), admitiriam ter saudades da vida que tinham anteriormente a ter filhos.
Parece que têm medo de admitir o que consideram uma fragilidade - "ai-que-não-posso-dizer-que-me-apetece-fazer/ser/ter-como-dantes-porque-sou-uma-má-mãe".
Gostei de ler.

Bailarina disse...

eu não digo que tenho saudades! gostava de poder conciliar tudo! gostei muito de ler

CAP CRÉUS disse...

Como te entendo.
Eu estou contigo.
Quando falo assim no circulo de amigos, fica tudo meio chocado.
Ninguém me ouviu dizer que não gosto do meu filho, nem de perto nem de longe, mas quando têm filhos, parece que tudo o resto deixa de existir, e isso, lamento, mas acho ridículo!

Framboesa disse...

Nós por enquanto (este por enquanto dura há 9 anos) e tendo como amostragem 5 casais amigos com filhotes...mantemo-no no "antes"...
Se algum dia chegarmos ao "depois" assumirei com certeza as saudades que tinha do antes, qt assumo hoje sem complexos o qt não anseio o "depois" :-)

diafeliz disse...

Cada coisa a seu tempo ,cada coisa no seu lugar. A propósito, deixo-te aqui um peq excerto de um texto de CARLOS DRUMOND De ANDRADE:Procurar o quê? O que a gente procurar muito e sempre não é isto, nem aquilo. É outra coisa...

Maffa disse...

Tudo tem o seu tempo… quando os babys säo pequenos däo muita trabalheira e canseira… mas também säo os tempos em que somos mais importantes para eles, e o amor incondicional que têm a nós faz-nos sentir únicas.
É um tempo que parece longo mas passa num instante, e depois voltamos a ter a nossa vida fervilhante focado em nós próprios.
Beijinhos!!

joaotvalente disse...

Tão importante e gratificante como saborear uma "boa queca" é saborear o ver crescer alguém gerado no teu ventre e ver as "gracinhas" que vai fazendo e pensar : "eh pá quando eu era pequena fazia exactamente isto !!... engraçado como "a vida" vai repetindo ...", e saborear o prazer de uma vida familiar ... dos bons e dos maus momentos da alegria e da tristeza ... e sentir alguém ao lado que nos "empurra" para cima quando nos querem "na fossa", não nos deixando cair ...