quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O natal e coiso e tal

Sou completamente a favor do consumismo do natal. Querem o quê? Dá vontade de comprar e comprar e comprar, "isto é a cara dele", "a minha mãe vai amar isto", "xii, os meus irmãos vão-se passar quando lhes der isto", "o meu pai vai perguntar-me para que serve e eu vou chorar a rir". AMO as reacções. Amo ver os sorrisos estampados naqueles que me aquecem o coração.

Agora uma coisinha de nada: não tenho dinheiro. Não há xilim, carcanhol, guito, money, o que lhe quiserem chamar. E, como tal, não há presentes para ninguém. Tenho inveja de quem anda na confusão das compras. Este ano não faço parte da seita. Mas tenho pena. Juro que tenho.

(ainda tenho mais pena é que a onda de solidariedade só nos assole nesta época do ano. E atenção que me estou a incluir no pacote. Shame on me...)
(prometo que me vou esforçar por ajudar/apoiar as milhentas causas que andam por aí, durante o resto do ano!)

2 comentários:

Joao Manuel disse...

A beleza do Natal é essa !!! Além da festa da família em que desde muito novos este teu lado familiar apostou em grandes reuniões familiares nesta altura do ano (em casa dos meus avós paternos - teus bisavós do lado do avô Fernando - era uma festa com uma ceia de Natal à meneira : bacalhau e um perú assado recheado ... feito pela empregada deles a Catarina ... que saudades !!! A que se juntavam as desinteligências familiares protagonizadas pelas duas cunhadas, a tua avó e a tua tia-avó Etelvina e as tuas tias Isabel e Mila ... eu tinha o condão de ficar de fora e ser o sobrinho "bem-quisto" e "bem-amado" nunca percebi porquê ... Este encanto repetia-se na Páscoa com um cabrito assado no forno que era uma delícia ...)E havia o encanto das prendas dadas e da reacção de que as recebia ... eu desde muito cedo "alinhei" nisso, e antes de ter dinheiro para as comprar nas feiras improvisadas à saída de comboios e metros tipo "Praça de Espanha" ou "feira de Carcavelos" fazia-las tipo "trabalhos manuais" que oferecia a toda a família ... era um encanto !!! Nem calculas quanto ... Depois veio esta onda consumista em que se gasta o que se tem e o que não se tem e começou-se a "programar" as prendas de Natal ao longo de todo o ano, comprando-as em promoções e saldos que vão acontecendo regularmente ou em viagens que se fazem e que se encontra algo diferente "vindo expressamente de ... para oferecer a ...". Mas não perca esta faceta herditária que temos de gostar de surpreender os que nos estão próximos com os presentes e os mimos de Natal ...

Joao Manuel disse...

Em tempo :
Isto para já não falar do encanto do Natal em casa dos teus avós, com a feitura das filhoses durante dois dias - a massa tinha de engrossar depois de batida durante um dia inteiro ... - o perú comprado na rua - os vendedores "pastavam-nos" pelas avenidas e ruas do bairro e os moradores compravam-nos da janela para os matarem na véspera de natal, depois de os embebedarem com aguardente ... eram bandos de perús pelas ruas e avenidas fora ... - perú esse depois recheado e temperado que levava horas a assar no forno de gaz ao mesmo tempo que se fritavam as filhoses e rabandas e sonhos ... aquilo era uma festa que culminava com as "prendas nos sapatinhos" colocadas pelo avô que vinha de propósito a casa enquanto estavam todos em casa dos avós ... era um encanto, podes crer que são memórias que nunca se perdem ...