quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Pessoas

Apanhei um taxista algo caricato. De gondomar, tinha resolvido vir morar para lisboa. Terminou o 12º ano e trabalho nem vê-lo. Decidiu ser taxista e estando a estrear-se nas lides, ainda não conhece as ruas da capital. Ao longo do caminho eu dizia "e aqui é o largo do rato", "esta é a rua castilho que tem hoteis e muitos escritórios e lojas, muita gente apanha táxis nesta zona". Dei por mim tal e qual uma guia turística. Até falei das minhas amigas tripeiras e disse que lhes ia contar que apanhei um taxista tripeiro (hehe, sedutoras ilusões :)

No final, o rapaz (sim, que ele não tinha mais do que 25 anos), pergunta: "e a simpatia faz o quê?". Achei um piadão. Aqui a "simpatia" contou qual era a sua ocupação. Esqueceu-se que ia no taxi com um estranho e falou da sua vida.

(em tom de remate, na despedida, disse-lhe bom dia, boa sorte e felicidades, e ouvi em troca: "foi a menina mais doce que já conheci")
(obviamente que o ego batato ficou confortado)
(e fiquei a saber que é preciso tirar um curso para ser taxista, sabiam? Que a carta de condução banal não é suficiente e que, entre outras coisas, aprendem línguas. Estou sempre a aprender)

(não preciso de dizer que este taxista de certezinha que não conheceu muitas meninas ao longo da sua (ainda) curta vida, ou preciso?)

2 comentários:

Panda disse...

Realmente acho que foste um doce. Se calhar haveria muita menina (estúpida) a dizer-lhe: "quer dizer que ainda tenho de lhe ensinar o caminho???"... não me admirava nada.
Realmente tem lógica precisarem de curso. O meu homem também tirou um curso específico para poder conduzir ambulâncias em emergência.

Condessa de Mars disse...

pois... a hospitalidade tripeira faz dessas coisas assim... cá para o Porto há muita coisa dessa, cumprimentos calorosos!