sexta-feira, 19 de março de 2010

(Feliz dia do pai) Para o meu pai

Quando era pequena, ansiava pelos fins-de-semana passados contigo. Atirava-me para os teus braços e o tempo nunca era suficiente para matar todas as saudades que eu sentia. Para colmatar a tua ausência. Um dia, perguntaram-me se gostava mais do pai ou da mãe. Pergunta rídicula. Que não se faz a uma criança. Jamais. Em tempo algum. Na minha inocência e de brilho nos olhos, respondi que era do pai. Quando dormia em tua casa, lembro-me dos meus terrores nocturnos, típicos de criança, apaziguados pela tua voz suave a dizer-me que estava tudo bem. As nossas idas a casa da tia lálá, no saldanha, eram o ex-libris do fim-de-semana. Era a melhor tia avó do mundo e arredores. Já as idas a casa da avó velhinha, como era carinhosamente chamada, na almirante reis, , eram, pelo menos para mim, um martírio. Estava velhota e fazia-me uma espécie de medo. Mas sei bem como gostavas dela e a boa relação que mantinham. Uma coisa que sempre detestei que me fizesses, era quando iamos de férias. Dizias que ias buscar-nos a uma hora e depois chegavas muito mais tarde. Não se faz. As idas a acampar ficaram para a história. Eras o pai "bacano", que nos levava juntamente com os nossos amigos. Na primeira vez, fui eu, tu e os manos rapazes. Eu dormia contigo na tenda. Tu protegias-me. Nos anos seguintes, lá conseguimos levar a "maria mijona" e eu e ela ficávamos no iglo. E depois fomos eu, tu e os manos rapazes, passear pelo Minho e La Coruña. E as férias na pedra mourinha, tudo ao molho e fé em Deus, já a nossa caçula mafalda vinha a caminho. E oeiras. E a piscina. E o pedro e a maria mijona a partirem a cabeça e a ficarem com os dedos entalados, porque eram traquinas. E o nuno sempre rebelde e a tomar conta de nós. E os 100 mil kms da peugeot. E o gato que acho que se chamava kitty. E as minhas idas para casa da sandra maria. E os presentes dos avós que eram sempre a duplicar, para mim e para a maria, para o nuno e para o pedro, só mudavam as cores. E os chocolates oferecidos pela tia mila, da favorita. E o teu cheiro a sabonete. E os teus bolsos sempre a rebentar com papeis e carteira e tlm. E o quanto eu gosto de ti, que vai daqui até à lua, com volta incluída. Tanto que até doi. És o pai que és. Não escolheria outro. Com os defeitos incluídos. Porque não somos perfeitos, como um dia te disse a avó. És o meu bichinho de eleição. Só meu.

4 comentários:

dia feliz disse...

Subscrevo Tudo e acho maravilhosa esta linda cartinha ao Pai. Eu sei talvez ainda melhor do que tu as coisas boas que ele tem e tb as menos boas. A eterna adolescência como eu às vezes lhe chamo, o rebeldezinho, receio que vai ser eterno. Tb a mim me tem sido difícil este « llega quando llega» Não há pressas, o ver« a casa a arder e mm assim ir lá com calma» chega a ser desesperante , mas ,defeitos, quem os não tem?Além dessas recordações há outras ainda que não tiveram menos encanto!Gostei muito do Pai que tive mas se escolhesse um 2º era um destes bichinhos, tal e qual! Vocês têem um Pai que vos adora e de quem tem muito orgulho.

Maria disse...

O gato era o kit e ia te lamber a boca qdo bebias leitinho!

Joao Manuel disse...

Só falta "a almofadinha com uma covinha no meio" ... que muita falta te fazia no campismo ... e os grelhados que levavam horas ...

Maria disse...

ahahaahahaah....os grelhados SEM SAL, atencao, nao demoravam horas, demoravam 6 horas precisamente. Comecavas a cozinhar as 6 e comiamos a meia noite