terça-feira, 19 de janeiro de 2010

26 de Novembro de 2009

O dia 26 de Novembro chegou. Na véspera andei hiper, mega nervosa. Para ajudar à festa, o tempo estava péssimo, fiquei fechada em casa a matutar no dia seguinte e a fazer os piores cenários (sim, sou uma dramática...).

O batato ainda foi trabalhar de manhã. Levantei-me tarde e surpreendentemente confiante (tendo em conta que no dia anterior estava uma pilha...). O batato veio buscar-me e fomos almoçar à Portugália (ou terá sido à Lusitânia?). Só sei que emborquei um belo bife cheio de molhanga e muita batata frita. O deadline eram as 13h. A partir daí não podia comer nadinha. E água, só mesmo aos bochechos.

Dali, fomos ver o rio. Espairecer. Divagar sobre os nossos últimos minutos como casal sem filhos. E de seguida, hospital connosco. Às 18h e pouco apresentámo-

-nos e demos entrada. Nervoso miudinho. Isto de ir para um parto com data e hora marcada é muito à frente e deixa a pessoa muito mais stressadinha, verdade seja dita.

Subimos. Fomos para o quarto. A mãe batata chegou nos entretantos (de notar que a mãe batata é mesmo a melhor mãe do mundo, que me ajudou sempre imenso nos 9 meses de gravidez. E no parto. E nestes dois meses desde que o batatinho nasceu. Ninguém lhe chega aos calcanhares! É mãe, amiga, companheira. Adiante). O tempo de espera no quarto foi o pior. Sentada na cama até aparecer alguém para me "preparar". Coisa estranha. Lá veio a enfermeira. Vestir a bata. "tome lá o clister para limpar o intestino. vamos ouvir o batimento cardiaco do bebé". Ok, agora pode ir para o quarto esperar mais um bocado. De seguida veio a anestesista conversar comigo. "Alergias? Doenças de maior? Problemas de coluna? ok, até já então".

E dali para a sala de partos foi um tirinho. Ca medo. Epidural, deixar de sentir as pernas, conversa da equipa para me distrair, sentarem-se na minha barriga porque o batatinho estava mesmo muito subido, mandarem entrar o pai e saiu o macaquinho, ratinho, pingente.


Eu tinha a certeza absoluta que não ia chorar. Mesmo. Mas minha gente, quando o vi toda eu desabei. Quando o puseram perto de mim, aqueles segundos voaram. Há coisas que não se explicam e esta é uma delas. Chorei que nem uma Madalena. Baba e ranho. Indescrítivel. Eu e o batato pai estavamos noutro mundo.

(e dali, o efeito da anestesia passou antes do tempo e gritei de dores até reforçarem a dose; fiquei quase 2h no recobro; e só quando cheguei ao quarto é que vi com olhos de ver o batatinho :)
(o nascimento foi num hospital privado. foi a minha opção. prezo muito o meu conforto, a gravidez não era de risco, o bebé estava bem, não havia motivos de maior para ir para uma maternidade ou uma estefânia. se houvesse algum problema, estávamos mesmo colados à maternidade. e não fomos a pensar que iria haver. são opções e percebo muito bem quem decide ter os filhos nos hospitais públicos. e sei que aí a eficiência, em caso de urgência, é muito mais elevada. mas não me arrependo. Gostei de ter comigo o batato pai durante 3 noites. De ter conforto. Mimo. Um wc só para nós. Digam o que disserem, para mim fez toda a diferença.)

6 comentários:

Anónimo disse...

Olá minha querida.
Não pude deixar de comentar. Passei por isso tudo há um ano, e tens toda a razão. Eu tive o meu parto no São Francisco Xavier, e ter mais 3 mães no mesmo quarto com bebés com horários diferentes e outras que ressonam e o diabo a sete, acho que fizeste muito bem em ter no privado. Eu tinha sempre a minha cortina fechada. Parecia um extraterrestre. Mas todas precisamos de privacidade, mais a mais numa altura dessa, que choramos a cada 10 minutos. Para a próxima não me enganam.
Beijinho grande.
Sara

Minie disse...

O que interessa é que a recuperação e o recobro tenham corrido bem, privado/ público, depende tudo do caso concreto e não há dois organismos iguais, nem há duas equipas iguais, etc etc etc. Também te podia aqui descrever situações catastróficas com partos, que supostamente não iriam gerar complicações, em hospitais privados ( minha mãe dixit) e situações de conforto máximo, de segurança e de equipas eficazes e competentes em hospitais públicos...

Publico ou privado, who cares, o que interessa é que tenhas sido bem tratada, como descreves (se bem que nesse ponto da anestesia eu teria umas considerações a tecer, mas não o faço, um pedido de satisfações ao anestesista e/ou ao cirurgião não fazia mal nenhum!), estejas impecável como já se viu que estás e o Pedro também... Pronto o batato também merece alguma atençãozinha...

Beijinhos emocionados, gostei da parte em que referiste o choro quando viste o batatinho... acho que qualquer mãe se deve rever nas tuas palavras...

BlueAngel disse...

Belo dia então!!! e 26 de Novembbro é do clube sagitariano e logo dos melhores. Tem dois anos de diferença e uma das minhas sobrinhas. Quanto à tua escolha acho que fizeste lindamente e ainda bem que pudeste escolher - que é uma coisa que a maioria das pesssoas não entende -. e não há nada melhor do que pudermos ter os nossos ao pé de nós num hospital. é meio caminho andado para se estar mais bem disposto. Estar constantemente a ver só gente de bata branca (por muito simpáticos que seja) é um bocadinho aterrador.

E tinha tantas saudades de te ler. :-)
beijocas larocas :-)

Márize disse...

Olá.
O teu bebé nasceu no mesmo dia que eu, com uma diferençazinha de 28 anos :)
A minha filha nasceu, há 3 anos, na Estefânia. Devido a algumas complicações no parto (antes e depois dele)estivemos lá 10 dias e garanto-te que fomos muito bem tratadas. Mas uma coisa é certa, nada como a nossa privacidade, o não ter que partilhar o quarto com mais 4 mulheres e 4 recem nascidos, que no nosso caso iam chegando, ficavam 2 ou 3 dias para a seguir irem para as suas casinhas e passadas 2 horas já havia a devida substituição.
Gosto muito de te ler.

Anónimo disse...

Mts Parabens!
Eu tive a minha filha na MAC e adorei. Inicialmente era para ter ido para á Cuf mas como tive complicações no final da gravidez tive mesmo de ir para a MAC. Quando soube chorei. Chorei pq não ia ter privacidade, o meu marido não ia ficar cmg, ia dividir o quarto com mais 5 estranhas (sim, 5!). Mas no fim de contas, apesar de não ter privacidade, gostei muito de lá estar. Tive internada 11 dias e não podia ter sido melhor acompanhada. De tal forma que os meus outros filhos hão-de nasecer lá.
Felicidades

Anónimo disse...

Parabéns pelo bebé e pela partilha, tão sincera, da experiência.

O parto do meu filho também foi programado. O meu marido, de todas as vezes que via bebés recém-nascidos, dizia-me que os achava todos feios, quando viu o dele, com 2 horas, saiu-lhe emocionado um "o meu puto é muita lindo" e umas lagrimitas. Hoje olha para as fotografias daqueles 1ºs dias e diz: "afinal não era assim tão lindo". Aqueles momentos são, de facto, intensos e únicos.

E a escolha do local de nascimento de um filho é tão pessoal, tão íntima que só aos pais diz respeito.

Um beijinho

Helena