domingo, 15 de novembro de 2009

Sem lugar a comentários

Há 8 meses e meio, ou 38 semanas, como quiserem, tudo à nossa volta passou a ser diferente. Aquilo que muitos tentam desesperadamente e levam anos para conseguir, caiu-nos nas mãos como uma gota de chuva que nos visita de repente. Como uma pena macia que pousa na nossa roupa. Como uma dádiva ou uma benção que não esperávamos que fosse tão rápido. De um "vamos deixar-nos levar" a um "olha, já está", passaram apenas umas poucas semanas. A vida realmente tem muita graça (e às vezes é realmente fodida, mas não é esse o caso). Parte das pessoas são corajosas, lutadoras, ambiciosas, cheias de planos a longo prazo. Outra parte deixa andar e vai vivendo a vida a seu belo prazer. E por fim, há a parte dos maricas. Onde eu me incluo. Avessa a mudanças. Com medos apenas porque sim. Que sofre por antecipação. Quero acreditar que Deus me presenteou para que eu possa crescer, possa realizar um grande sonho, possa ser uma pessoa melhor, possa ser mais forte e corajosa. Possa realizar um projecto de vida, sem dele desistir. Em breve toda a nossa vida vai mudar. E não nego os meus receios. Que não penso nisso diariamente. Que não questiono as minhas capacidades. Que não me amedronto de quando em quando. Mas mesmo mesmo em breve, tudo vai ser uma roda viva. E eu tenho medo, muito medo, e ao mesmo tempo tenho uma enorme vontade de tocar, cheirar, segurar, embalar, e dar o meu melhor. Receio fracassar. Mas estou cheia de vontade de sentir o que aí vem. Sentir o amor incondicional. Sentir que esta viagem vale mais do que a pena. Sentir que sou capaz, porque não sou diferente de ninguém.

Pedro, este post é para ti. Que nos tens acompanhado nesta viagem. Que me tens pontapeado. Que tens dado alegrias ao teu pai, e ainda nem estás cá fora. Que és muito desejado. E vais ser muito acarinhado.

(lamechices à parte, esperamos que colabores dentro do possível, já que a nossa encomenda dizia "rapazinho calminho como o pai e nada rezingão como a mãe").

Cá te esperamos.