terça-feira, 17 de março de 2009

Ossos do ofício

Ontem a tarde foi passada ali para os lados do Marquês de Pombal. Num dos grandes grupos de comunicação social. Um dos que fez uma rasia de despedimentos, que até doeu. Sim, esse mesmo!

Ora, foi-se acompanhar a produção de uma "capa falsa" para um dos jornais diários mais conhecidos do país (mas nem por isso o que vende mais...), em nome de um cliente nosso. Área de publicidade. Paginação.

Passou-se a tarde toda a ouvir os "velhas guardas" (os outros devem ter ido com o bôda...) a gritar "oh zé, tenho aqui mais um morto para a edição de amanhã". E a observar o tratamento de imagem dos ditos mortos, porque há que lhes tirar as imperfeições, que estão mortos mas merecem o devido respeito! Olhar para um print onde está uma foto a preto e branco de um rapaz novo, do século passado, e palavras da tia a referir o 37.º aniversário do falecimento do seu sobrinho, o dito rapaz. Comento com o paginador que a cena é um pouco mórbida, ao que recebo como resposta "essa senhora todos os anos faz o mesmo".

Eu estava ali através de um cliente de saúde, note-se, mas apanhei com os "mortos" e com as emendas aos respectivos textos. E todos se riam de mim, que estava a modos que espantada com a frivolidade com que tratavam o assunto. Afinal é o trabalho deles desde sempre.

É como o ginecologista que num dia vêm dezenas de vaginas e mamas e afins, e nós achamos sempre que o dito vai reparar na unha mal cortada, nos pelos mal aparados, e tudo e tudo e tudo.

Enfim...

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