segunda-feira, 2 de outubro de 2006

Para o meu avo

E como a vida não é só feita de momentos felizes, este post é dedicado ao meu avô Fernando que está internado no Hospital, a sofrer e, quem sabe, a passar os seus últimos dias.

Fui ontem ver-te. Estás pele e osso. Não falas. Nao respondes. Mas sei que ouves. Vi, pela primeirissma vez, a avó chorar. Aquela que para mim era a pessoa que "vestia as calças" da família, foi-se abaixo. A que eu tinha como sendo bruta muitas vezes, chorou-me no ombro e partilhou comigo a sua tristeza. Porque não é fácil ver partir o homem com quem se partilha uma vida. Mais de 50 anos. Fez-me confusão todo aquele cenário. Porque a morte devia ser algo sem sofrimento. Sem dores. Sem prolongamentos. Segurei-te a mãe e mexeste-a por diversas vezes. Falei contigo. O pai até brincou comigo porque eu disse o mesmo umas três vezes. Eu estava nervosa. E só me lembrava que o teu neto tinha casado no dia anterior e queria que soubesses que ele está feliz e que tudo correu bem. Não me ocorria mais nada... Só me lembro das tuas histórias. És aquele avô que tem mil histórias para nós. Que anda sempre de máquina fotográfica em punho a registar os momentos da família. Que faz questão de nos dar o envelope nos anos e no natal. E quando fizeste 81 anos explicaste-nos que era a tua maioridade ao contrário. E a excitação que era todos os natais chegar a tua casa e ter um monte de presentes para cada um, com o nome por cima. E rasgar os papeis com a furia de uma criança feliz. E o mealheiro que era um marco do correio. Tinhas um para cada neto, em tua casa. E as almoçaradas de família. E as jantaradas. O teu cabelo sempre branquinho. Cor de neve.

Custa-me ver-te desaparecer assim. Porque, infelizmente, estas coisas não se prevêem. Não há tempo para despedidas. Mas há tempo para recordar os tempos idos. E sei que gosto muito de ti. Que tens um amor grande pelos teus netos. E pena de não os veres mais. E estamos todos juntos a viver esta dor. Porque és um grande homem. Um grande engenheiro. Um grande pai. Um grande avô. Acima de tudo, um grande amigo.

4 comentários:

Ana disse...

Olha...nestes momentos que se pode dizer? Só me ocorre deixar-te uma beijoca grande.

Jordan disse...

Bjo MTO GRANDE, Valtentinha!
Bem mereces pelas palavras lindas que escreveste ao teu avô. De certeza que onde quer que esteja, adorou, chourou e ficou todo orgulhoso da neta :)
Bjo :)!

Anónimo disse...

Amiga, só agora ao ler o teu blog é que fiquei a saber...
Lamento imenso o que te aconteceu e se precisares de mim, sabes onde me encontrar. Beijinhos e muita FORÇA! Pat

Xana disse...

Tal como o ultimo comentario, tb só o soube agora ao vir ler o teu blog. Espero k já tenhas recuperado a tua alegria poix é algo q faz parte de ti, da forma como me lembro de ti. essa carinha sempre c 1 sorriso nos lábios. Já passei por isso e já n tenho nem avós nem avôs, sei o k é... Força amiga!