segunda-feira, 20 de junho de 2005

Carta aberta aos bandidos

(...)"A assaltar uma praia, parece-me óbvio que deveriam ter escolhido praias de gente rica, como a dos Tomates, a do Ancão ou as de Vilamoura. Num dia bom, talvez conseguissem palmar o helicóptero do Manuel Damásio. Já a praia de Carcavelos, meus amigos, o que é tem para roubar? Por mais que me esforce, não consigo deixar de imaginar a vossa reunião após o arrastão como uma cena patética do tipo:

Bandido: Muito bem, vamos lá dividir o produto do roubo desta tarde. Este bronzeador solar 30 fica para mim. Mãozinhas, ficas com este par de raquetes. Aqui o tupperware de pataniscas de bacalhau é para o Zé Naifas. E os outros 497 dividem este tacho de arroz de tomate embrulhado em papel de jornal.(..)

Têm iniciativa, sim senhor, mas falta-vos visão estratégica e, sobretudo, formação. Pois não é evidente que os vossos negócios se desenvolvem menos na praia do que, digamos, no campo? Refiro-me, especialmente a campos de golfe. Mantém-se o contacto com a natureza e o trabalho ao ar livro – que, pelos vistos, vocês tanto prezam-, e tem duas vantagens que entendo como fundamentais: primeira, há muito mais coisas valiosas para roubar; segunda, eu vou à praia de vez em quando, mas não jogo golfe. Pensem lá bem nisso e continuação de bom trabalho.
Um abraço para todos do Ricardo

PS-Não sei qual de vocês ficou, aqui há uns tempos, com o meu auto-rádio. Se ainda não foi vendido, uma dica: lá dentro ia um CD do Sérgio Godinho, o Rivolitz. Tenham isso em atenção na altura de fazer o preço, porque é um belo álbum ao vivo."

Ricardo Araújo Pereira, Visão 16.6.05

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